ou A arte de ser (In)Feliz
"(...) Parece ser relativamente grande o número de pessoas com talento suficiente para criar seu próprio inferno. Infinitamente maior, porém, é o número daqueles que precisam de ajuda e estímulo nesse campo.. A estes são dedicadas estas páginas, como introdução e guia.(...)
Todo mundo pode ser infeliz. Mas tornar-se infeliz requer um aprendizado. Um pouco de experiência, somada a alguns momentos pessoais de desgraça, não basta.(...)
Um outro (exemplo) seria a dor-de-cotovelo motivada pelo fim de um caso amoroso. Resista aos apelos de sua consciência, de sua memória e de seus bem-intencionados amigos, que querem convencê-lo de que esse relacionamento já estava morto há muito tempo, e que você muitas vezes se perguntava, rangendo os dentes, como seria possível escapar daquele inferno. Não acredite que a separação é o menor dos males. Pelo contrário, convença-se pela enésima vez que "começar de novo" será um completo sucesso. (Não será não!) Deixe-se guiar pela seguinte dedução, eminentemente lógica: se a perda de uma pessoa querida dói como o diabo, então você morreria de prazer com o reencontro. Afaste todos os seus amigos e fique de plantão ao lado do telefone, em completa disponibilidade para a chamada decisiva, que vai mudar sua vida. Mas se a espera lhe parecer intolerável, nada melhor do que procurar um relacionamento idêntico! É uma experiência humana antiqüissíma.(...)"
Trechos iniciais do irônico, hilário e revelador livro de Paul Watzlawick um roteiro completo sobre o fácil ofício de tomar a nossa vida um inferno. Pode parecer brincadeira, à primeira vista, mas o autor baseia-se em estudos profundos sobre a teoria das comunicações e a origem da esquizofrenia, áreas nas quais é acadêmico internacionalmente reconhecido.
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Já perceberam como a gente sempre tem a tendência de complicar tudo? Achei este texto numa das minhas antigas agendas e não pude deixar de postar aqui. Principalmente porque uma amiga muito querida está passando por esta situação, ela sabe que não tem escolha a não ser deixar o namorado, mas se recusa a admitir o óbvio...
E você quantas vezes na vida já escolheu ser infeliz?